1/15/2010

Afinal, o que é a chassidut chabad?

Estas não são definições da chassidut chabad, porém são princípios básicos dela expostos pelo próprio Rebe de Lubavitch em seu livro Hayom Yom. Creio que sabendo-os já pode-se ter uma idéia do que norteia esta filosofia e a vida dos chassidim. Para uma definição e um estudo mais profundo sobre o tema recomendo o discurso chassídico do Rebe "Sobre a Essência da Chassidut" que você pode comprar a tradução e edição em português aqui http://www.sefer.com.br/prodvar.aspx?codigo_produto=653&cookie_test=true. Mas, por enquanto, veja o Hayom Yom:

Hayom Yom, Kislev 16

Um princípio fundamental na filosofia Chabad é o de que a mente - que por sua natureza inata domina o coração - deve subordiná-lo para o serviço a D-us utilizando o intelecto, a compreensão e a contemplação sobre a grandeza de D-us.

Hayom Yom 25 de Tevet

Extraído das sichot do meu pai: Êxodo do Egito significa sair dos limites e restrições(Egito=Mitzraim=meitzarim=limitações), e a Chassidut dá ao homem a possibilidade de sair dessas restrições do mundo material. Existe, porém, uma diferença: o Êxodo do Egito significa romper e depois sair. Por isso, eles fugiram do Egito. O Êxodo da Chassidut consiste em refinar, corrigir, sair das restrições e limitações mundanas e materiais, porém permanecer dentro do mundo, devemos transcender suas limitações. Devemos remover os limites e restrições e captar a verdade - que o mundo por si só é realmente bom, pois afinal de contas, esta é a Sua vontade. Isto se consegue através da avodá da Chassidut(1).
Nota:
(1) Quando a sociedade e o ambiente ao seu redor, aparentemente, entram em conflito com a Torá pode haver uma reação de retirada do mundo material e seus questionamentos. A Torá rejeita o retiro monástico excessivo. Chassidut advoga pela permanência dentro do mundo material, ou seja, nas rotinas normais da família e do trabalho, recusando-se porém a submeter-se aos valores e princípios do mundo. Os valores do judeu são os da Torá, mesmo quando se está na feira ou no laboratório. Empregam-se as oportunidades e desafios do mundo para subordinar e utilizar as coisas mundanas em metas de valores e ideais da Torá. Isto é feito tanto intelectualmente ao confrontar-se com conceitos que parecem estranhos à da Torá , assim como observando as mitzvot mesmo em circunstâncias hostis. Sendo assim, mesmo estando no mundo, o judeu mantém um relativa distância deste.


1/11/2010

Kol Lev

Passei por um período em que estava bastante atarefado e depois fui viajar, por isso não escrevo no blog há algum tempo. Volto homenageando o chazan do Beit Lubavitch Leblon que agora também é cantor de uma banda chamada Kol Lev( Voz do Coração) que toca músicas litúrgicas com ritmos e arranjos diferentes. É bem legal! Parabéns, Yaakov Moishe! No site deles(www.kollevband.com.br)você pode encontrar mais vídeos, músicas e informações.



12/09/2009

A Festa das Luzes

Nesta sexta-feira, começa Chanuká. Nesta festa, comemoramos a vitória dos macabeus sobre os gregos que queriam "helenizá-los" e também o milagre de, após retomarem o Templo Sagrado, os judeus acharem azeite puro e adequado para o acendimento da Menorá, que durou por oito dias quando naturalmente seria o suficiente para apenas um.
Chanuká nos ensina que não devemos de nenhuma maneira abandonar nossa herança sagrada de Torá e mitzvot, não importando o ambiente em que estamos. Além disso, mostra que apenas um pouco de luz é o suficiente para acabar com a escuridão.
É muito fácil lembrar desta data, cumprindo a importante mitzvá de Chanuká e, com isso, trazer mais luz para o mundo. É só ascender a chanukyá por oito dias a partir do dia 11/12.
Não deixe de cumprir esta mitzvá que nos ensina sobre a vitória da luz sobre a escuridão, que será totalmente revelada com a chegada de Mashiach, que seja em nossos dias!
Para saber mais sobre a Festa das Luzes e a maneira correta de ascender as velas clique aqui: http://www.chabad.org.br/datas/chanuca/index.html

12/04/2009

Onde você está em 19 de Kislev?

Este domingo, 19 de Kislev, é uma data muito especial. Comemora-se, entre outras coisas, a saída do Alter Rebe( primeiro Rebe de Lubavitch) da prisão. Ele havia sido preso, basicamente, por difundir os ensinamentos da chassidut( a parte mística da Torá) entre muitos judeus. É o autor do livro Tanya que é a base da chassidut chabad( acróstico para chochmah, binah e daat - sabedoria, conhecimento e entendimento), a chassidut que enfatiza a contemplação e a meditação para que o serviço a D-us seja mais completo. Depois de ser libertado, o Rebe Shneur Zalman passou a intensificar e expandir os seus ensinamentos de chassidut, por isso, a sua libertação é comemorada não apenas como a redenção de um grande líder e tzadik(justo), mas também como uma salvação para os chassidim especialmente e para todos os judeus de modo geral. É uma data tão importante que é considerada o Rosh Hashaná da chassidut.
Para homenageá-lo conto uma história de quando ele estava na prisão:
O seu investigador-chefe foi pessoalmente a sua cela para conversar com ele. Logo percebeu que não se tratava de uma pessoa comum. Então, ele que era um homem culto e versado na Bíblia, resolveu tirar uma dúvida. Perguntou qual era o sentido da passagem em que após o pecado de Adam, D-us pergunta "Onde está você?". Aparentemente não faz sentido, já que D-us certamente sabe onde ele está. Então, o Rebe citou a explicação do Rashi( Rabino Shlomo Yitzchak, grande comentarista da Torá e do Talmud) a qual diz que este tipo de pergunta acontece em outras ocasiões nas Escrituras e que seu motivo é que esta é uma maneira de começar uma conversa. D-us procura não assustar o seu interlocutor(mesmo para Adam não deve ser uma experiência tranquila falar com HaKadosh Baruch Hu, o Rei dos Reis).
O investigador-chefe, então, replicou que ele já conhecia esta explicação. Queria saber se o Rebe tinha uma outra. Então, o Rebe perguntou se ele acreditava na verdade das Escrituras Sagradas e ele respondeu que sim. O Rebe, satisfeito por ter encontrado um investigador temente a D-us, explicou que esta era um chamado divino e eterno para cada homem, demandando constantemente: "Onde você está espiritualmente?". A cada homem é atribuído um certo número de dias na Terra para que a cada dia ele se dedique ao seu dever perante D-us e perante o homem. Então, esse chamado divino é diário para cada pessoa, demandando introspecção e auto-exame. Por exemplo, você - disse o Alter Rebe ao investigador - que tem tantos anos de idade( ele disse exatamente a idade do investigador) deve perguntar a si mesmo o que você alcançou em todos esses anos, quanto bem você já fez e o que ainda tem que fazer...
O investigador ficou impressionado com a explicação e com a adivinhação da sua idade. Ele fez mais perguntas ao Rebe sobre o judaísmo e sobre a Torá. Ficou cada vez mais impressionado e exclamou: "Isto é realmente divino!"

Recomendo fortemente que você procure conectar-se aos ensinamentos do Alter Rebe indo a uma aula de chassidut no seu Beit Chabad mais próximo ou simplesmente lendo o Tanya que tem tradução e explicações em português.

11/12/2009

Encontro de Extremos

Neste Shabat, leremos a parashá "Chayei Sarah" que nos conta sobre a morte de nossa matriarca Sara e sobre o casamento de Yitzchak e Rivka. Para entender melhor o significado deste casamento, uma sinopse de uma sichá do Rebe:
Antes do seu casamento, Yitzchak tinha alcançado um grande nível de perfeição espiritual. Já no começo de sua vida, ele foi o primeiro judeu a ser circuncidado com oito dias. Depois, ele foi educado por Avraham Avinu e mais tarde mostrou estar disposto a sacrificar a própria vida por D-us no episódio da Akeida(quando Avraham achou que teria que sacrificar seu próprio filho). A partir de então, Yitzchak passou a ter a santidade de uma oferenda queimada( uma das oferendas que eram feitas no Templo sagrado).
Por outro lado, Rivka era uma rosa entre espinhos. Nasceu em uma família de idólatras iníquos.
A união entre os dois foi, então, um encontro de extremos. E justamente por causa disso, foi registrada na Torá. Isso porque a Torá é ela própria um guia para a união de extremos. Quando qualquer mitzvá é cumprida, um objeto físico e mundano torna-se permeado por Divindade e santidade.
Portanto, o casamento entre Yitzchak e Rivka representa o casamento do espiritual com o físico. E isso explica por que a nossa Parashá passa tanto tempo discutindo a história deles, já que essa foi a base para tudo que se seguiu.

11/01/2009

Duas Revoluções: O Prelúdio da Redenção

Apesar de já estarmos lendo a parashá Toldot que nos conta sobre o nascimento dos filhos de Yitzchak, Eisav e Yaakov, trago uma outra sinopse de uma sichá do Rebe relacionada com a parashá Noach. Ela explica a relação entre chassidut e revolução industrial com Mashiach à luz do ensinamentos do sagrado Zohar( livro base da Cabalá).
No Zohar, a seguinte previsão é feita:
No ano 600 do sexto milênio(ou seja, ano 5500 no calendário judaico ou 1740 no calendário comum), haverá uma abertura dos portões celestiais superiores da sabedoria e das fontes inferiores da sabedoria, preparando o mundo para o sétimo milênio(isto é,para a redenção final). Da mesma maneira que uma pessoa começa a preparar-se para o Shabat na sexta-feira,quando o sol começa a cair. Isto é indicado pelo verso 11 da parashá Noach: "No ano 600 da vida de Noach... romperam-se todas as fontes do grande abismo e as janelas dos céus foram abertas...".
Aproximadamente a partir de 1840, duas grandes escolas de pensamento causaram revoluções em suas esferas de influência( após início do desenvolvimento no século anterior). No mundo judaico, o movimento chassídico popularizou os ensinamentos do misticismo e da Cabalá . No mundo secular, a revolução industrial atingiu seu pico. Esses dois desenvolvimentos eram a "abertura dos portões celestiais superiores da sabedoria e das fontes inferiores da sabedoria" a que o Zohar se referia.
O Zohar afirma que esses dois desenvolvimentos são uma preparação para a redenção final com Mashiach. Isto traz a pergunta: Pode-se compreender por que a disseminação do misticismo judaico é uma preparação para a redenção, uma vez que com a chegada de Mashiach, " a terra ficará cheia com o conhecimento de D-us"(Isaías 11;9), do qual os ensinamentos da Cabalá são um aperitivo. No entanto, por que o desenvolvimento científico e tecnológico são um prelúdio para Mashiach?
Uma das profecias sobre a época da redenção é a de que " toda carne verá que D-us está falando"(Isaías 40:5), ou seja, a presença de D-us será apreciada por nossos sentidos físicos. Os desenvolvimentos científicos dos últimos 150 anos trouxeram aos nossos sentidos fenômenos que eram previamente tidos como super-naturais. Por exemplo, pela televisão, rádio e telefone, o homem é capaz de ver e ouvir de um canto do mundo a outro instantaneamente. Então hoje, o conceito de que há " um Olho que vê, e um Ouvido que ouve, e todos os seus atos são escritos num livro", não é mais algo que é deixado apenas para a imaginação apreciar, já que agora nossos sentidos físicos podem começar a apreciar este fenômeno também.
Esta era a intenção do Zohar ao conectar a revolução científica com a vinda de Mashiach. A tecnologia moderna trouxe fenômenos inimagináveis para os nossos sentidos, que nos ajudam a visualizar o tempo em que " toda carne verá junta que D-us está falando".

10/23/2009

O Rebe e Victor Frankl

Em 1992, uma mulher de 85 anos vestida elegantemente e com aparência jovial e enérgica entrou na sala do rabino Jacob Biederman, emissário do Rebe na Áustria, e com sorriso no rosto se apresentou como cantora de ópera aposentada e a primeira emissária do Rebe em Viena! "Eu sei que você pensa que é o primeiro por aqui, mas eu sou a primeira na verdade! Muito antes de você!"
Resumindo a história dela, Margareta Chayos era descendente de uma família de Rebes de Vishnitz (uma das várias linhas chassídicas) que havia deixado sua casa tradicional para ir para "o mundo real". Foi para Viena antes da guerra e se tornou uma famosa cantora de ópera nos anos 30. Em 1939, chegou a cantar duas vezes para o próprio Hitler! Mas, quando a Segunda Guerra começou, sua carreira em Viena terminou e ela conseguiu ir para os EUA. Sua famíla e amigos pereceram na guerra e no holocausto. Muito tempo depois por providência divina, Margareta teve uma audiência particular com o Rebe: " Eu entrei no quarto do Rebe, não sei explicar, mas de repente, pela primeira vez após o Holocausto, senti que podia chorar. Como muitos que perderam famílias e comunidades inteiras, eu nunca tinha chorado. Nós sabíamos que se começássemos a chorar, poderíamos não parar mais ou que para sobreviver não poderíamos expressar emoções. Mas, naquele momento, era como se o que obstruia minha torrente de lágrimas houvesse sido removido. Comecei a derramá-las como um bebê. Dividi com o Rebe minha história: infância inocente, saída de casa para Viena, me tornando um celebridade, me apresentando diante de Hitler, escapando para os EUA, sabendo sobre a morte dos meus mais próximos amigos e familiares."
O Rebe ouviu com seus olhos, com seu coração, com sua alma, e internalizou tudo. Dividi tudo e ele absorveu tudo. Naquela noite, senti que tinha ganhado um segundo pai. Senti que o Rebe me havia me adotado como filha.
No final do nosso encontro, expressei meu desejo intenso de voltar a Viena e o Rebe me pediu que antes de ir, eu o visitasse novamente.
Então, alguns meses depois antes de viajar para Viena me encontrei com o Rebe e ele me pediu dois favores. Primeiro, que eu visitasse o Rabino Chefe de Viena e o segundo que eu visitasse um certo professor na Universidade de Viena. O Rebe falou em alemão para que eu pudesse entender: Seu nome é Dr. Frankl. Mande minhas lembranças e diga a ele no meu nome que ele não deve desistir. Ele tem que continuar firme e continuar seu trabalho com vigor e paixão. Se ele assim fizer, ele vai prevalecer."

Apesar das dificuldades em encontrar o tal doutor, ela conseguiu chegar à casa dele:

" Uma mulher abriu a porta e eu vi atrás dela um quarto cheio de cruzes, deveria haver algum engano, não pode ser esta a casa da pessoa que o Rebe queria encorajar, mas mesmo assim perguntei pelo professor.
Momentos depois um homem de meia idade veio para a porta, ele estava extremamente tenso, e parecia bastante desinteressado. Eu disse: Tenho lembranças do Rabino Schneerson do Brooklyn, NY. "Quem é esse?", ele perguntou impacientemente.
O Rabino Schneerson me pediu para te dizer em nome dele que você não pode desistir, você tem que continuar forte com seu trabalho e com determinação inabalável que você vai vencer. Não caia no desespero. Se você marchar com confiança, ele prometeu que você vai conseguir grande sucesso.
O professor mudou. Ele olhou para mim como se estivesse vendo um fantasma. Um minuto depois ele estava chorando como um bebê. " Eu não posso acreditar nisso" ele dizia repetidamente enquanto fazia um gesto para eu entrar. "
Após acalmar-se, ele disse: "Esse rabino do Brooklyn sabia exatamente quando enviá-la. É um verdadeiro milagre! Você me salvou!" Ele começou a chorar novamente e não sabia como agradecer.
Rabino Biederman, ela disse com um sorriso, isto aconteceu há mais de 40 anos, , então sou emissária do Rebe muito antes de você! "
Depois de ela ir embora, o intrigado rabino Biederman começou a investigar e descobriu que Victor Frankl ainda estava vivo com 87 anos e que ele era bem famoso. Era também um doador regular para o Chabad House de Viena!
Então, ele ligou para o doutor Frankl e perguntou se ele lembrava dessa história. Ele disse: "Não lembro do nome da mulher, mas claro que lembro daquele dia! Nunca vou esquecer isso! Minha gratidão ao rabino Schneerson é eterna!" Então, ele se convidou para a casa do Dr. Frankl onde ficou sabendo do resto da história.

"Ele me contou que ainda jovem ele destacou-se no estudo de neurologia e psiquiatria e no começo dos anos 20, ele fez parte do círculo do famoso Dr. Sigmund Freud.
Mas, quando os nazistas tomaram o poder tudo mudou. Ele, seus pais, sua mulher grávida e todos que lhe eram queridos foram para campos de concentração. Todos foram mortos, exceto ele. Mas, apesar de tudo, ele manteve um espírito positivo. E este era o seu problema!
Já antes da guerra e durante seus três anos nos campos de concentração,ele desenvolveu idéias contrárias às dominantes teorias negativas de Freud e seus discípulos.
Freud acreditava que humanos são animais vulneráveis e egoístas, governados pelo passado, por frustrações subconscientes e tomados por neuroses, complexos e psicoses. O único própósito da terapia, de acordo com ele, era liberar o paciente destes problemas, nada mais. Mas, Frankl ensinou que a essência do homem é a sua capacidade de auto-transcendência, nunca definida por circunstâncias da vida e limitações, pelo contrário, responsável por reformar estas condições, definindo seu significado e mensagem"
Disse Frankl:
"Nós que vivemos nos campos de concentração nos lembramos das pessoas que ficavam confortando as outras, dando-lhes seu último pedaço de pão. Talvez, fossem poucas, mas elas são prova suficiente de que tudo pode ser tirado do homem exceto uma coisa: A última das libedades humanas - escolher que atitude tomamos em qualquer circunstância, escolher o nosso caminho".
No entanto, nas universidade dos anos 40/50 as idéias Freudianas reinavam e as de Frankl eram descartadas como religiosidade fanática, que ressucitava conceitos antigos e não científicos de consciência, fé e obrigação. Para os estudantes não era popular ir aos seus cursos.
"Rabino Biederman, exclamou Frankl, eu sobrevivi aos campos de concentração e mantive meu espírito lá, mas não conseguia sobreviver ao impiedoso desprezo dos meus colegas. Finalmente, após anos disso, eu estava exausto e deprimido. Fiquei melancólico e decidi parar. Eu não tinha amigos, incentivadores ou discípulos. Comecei a preparar os papéis da minha aposentadoria.
Então, subitamente, uma mulher aparece me mandando lembranças do rabino Schneerson do Brooklyn! Esperança! Inspiração! Eu não podia acreditar no que estava ouvindo! Alguém no Brooklyn, nada menos do que um Rebe chassídico, sabia sobre mim! Me apreciava! Ele se importava. Naquele momento, eu não era ninguém, rejeitado e sozinho! Isto foi um milagre! Como ele fez isso?
De fato, as palavras do Rebe se tornaram verdade. Eu lutei! E, pouco tempo depois, me deram uma Cadeira na universidade. Meu livro "A Busca do Homem por Sentido" foi traduzido para o inglês e de repente me tornei um dos mais celebrados psiquiatras da geração.
Alguns anos atrás, o Chabad veio para Viena e eu passei a ser um doador."

Pelo menos, o rabino Bierderman entendeu por que ele recebia um cheque por correio sempre antes do Yom Kipur.
O livro do Victor Frankl se tornou uma pedra fundamental para uma virada na psicologia, colocando-a num caminho mais positivo. Ele escreveu 32 livros que foram traduzidos para 30 línguas. Ele tornou-se palestrante convidado de 209 universidades nos 5 continentes, recebeu 29 doutorados honorários de universidades de todo o mundo( mais do que qualquer outra pessoa) e recebeu 19 prêmios nacionais e internacionais pelo seu seu livro " A Busca do Homem por Sentido" que vendeu 10 milhões de cópias e foi listado como um dos mais influentes do século pela Biblioteca do Congresso(americano)!
Mas a história ainda não acabou.

Em 2003, o doutor Shimon Crown, um chassid australiano e expert no pensamento de Frankl, foi visitar sua viúva católica. Eles falaram durante horas e num determinado momento, ela pegou um par de tefilin e tzitzit e mostrou a ele: " Meu marido colocava-os todos os dias, ele nunca perdeu um dia!"

Para mim essa história é muito interessante por três motivos. Primeiro, porque um dos autores que me influenciaram antes de eu ficar observante foi o Victor Frankl. Eu nunca poderia imaginar que o Rebe tivesse tido uma influência tão grande na vida dele, apesar de saber que o ele o recomendava quando era perguntado sobre psicologia. Depois, porque ela mostra a influência que o Rebe tem sobre todos os judeus e como ele se importa com todos. E isto, certamente, fez com que ele influenciasse o mundo todo de forma positiva, já que como neste caso, ele teve papel importante na vida de pessoas que, por sua vez, influenciaram milhões de outras de muitas religiões e etnias diferentes. Por fim, ela é mais um exemplo (neste caso na psicologia), de conciliação entre Torá e ciência. Essa que muitas vezes ocorre, mas nem sempre é possível nem necessária contanto que saibamos em que cada uma delas consiste. Mas, isso já é outro assunto. Com a ajuda de D-us, vou escrever um pouco sobre isso em breve.